Sabe aquele tipo de filme que você assiste e acha genial, mas fica com receio de indicar para todo mundo por conta de que, provavelmente, muita gente vai achar uma merda ?
Drive, para mim, é mais um filme que entra para essa coleção. É daqueles que vou indicar sempre com a ressalva: “ Eu achei DUCARAIO!, mas talvez você não goste”.
Não se trata de menosprezar a inteligência de ninguém ou de eu achar que eu entenda muito de cinema. Também não é um filme-de-arte-ultra-alternativo com 8 horas de duração com atores declamando Shakespeare em russo enquanto comem paçoca.
(Se alguém filmar isso abro mão dos copyright por amor à Grande Arte. E vergonha também)
É que Drive, assim como outros filmes que coloco nessa categoria, exige uma certa concessão do espectador por fugir daquela forma padrão de “filmão-americano”.
Algumas pessoas quando param para assistir a um filme, só querem 2 horas de diversão e escapismo e não há nada de errado nisso. Eu mesmo curto desligar o cérebro por um tempo e ver coisas do tipo, Os Mercenários que é um filme que deve ter um roteiro de 3 linhas só como desculpa para reunir fino do cinema-pancadaria dos anos 90 e eles (Spoiler!) explodirem tudo o que se mover em seu raio de alcance.
Já o filme do diretor Nicolas Winding Refnum tem um ritmo muito próprio, um protagonista sem nome que fala pouquíssimo e ao mesmo tempo diz muito em uma atuação impressionante do ator Ryan Gosling, foge dos dualismos do cara-malvado contra o mocinho em seus personagens e abusa dos close-ups e do silêncio justamente para causar estranheza e aquele clima de que em, algum momento, uma MERDA-GIGANTE vai acontecer deixando seu cérebro alerta durante todo o filme e um gosto amargo após seu final.
Muita gente vai achar “paradão”, assim como conheço muita gente que acha o Tarantino apenas um diretor carniceiro de diálogos amalucados por não tentar dar uma chance a um estilo diferente de cinema e fazer um esforço para pegar as referências e o estilo que ele tenta imputar em seus filmes. Mas por mais que eu não concorde, entendo esses pontos de vistas.
Tanto que na minha prateleira de filmes, eu o colocaria na sessão “Filmes para Doentes”, sessão assim batizada em homenagem a um amigo meu que quando eu disse que Clube da Luta era um dos meus filmes favoritos ele respondeu: “Cê é loco? Isso aí é filme para gente doente!” Entendi o quê ele quis dizer.
E acabei tomando isso como um elogio.