One last thing


(arte de Jonathan Mak)

E Steve Jobs se foi.

Em momentos de uma perda desse porte  a tendência ao exagero é natural. A legião de fãs da Apple irá (se é que isso é possível) canoniza-lo ainda mais e aqueles que sempre o olharam com desconfiança irão clamar que esse tratamento de messias dado á um CEO de uma grande corporação é de uma ingenuidade sem tamanho.

Mas o fato é: esse cara, santo, visionário, carrasco, arrogante, genial, genioso (e aqui poderíamos colocar um série infinita de adjetivos por mais antagonicos que eles sejam) mudou sua vida, mesmo que você nunca tenha tido ou pensado em ter um produto da Apple.

Se você já usou um computador independente do sistema operacional,um mp3 player, um smartphones, independente da marca ou modelo com certeza lá tinha um toque do perfeccionismo de Jobs.

Por que as criações, idealizadas ou capitaneadas por ele, foram a inspiração para quase tudo que foi lançado em tecnologia nos últimos 25 anos. “Ele forçou todos a dar um passo à frente” eis um lugar comum (verdadeiro) normalmente empregado quando o assunto é Steve Jobs

Além da revolução que causou na música com a iTunes Store enxergando um modelo de negócios viável para a música digital, do bem sucedido modelo de varejo adotados nas Apple Retail Store, no cinema através da Pixar, nos games com os jogos da App Store, e por aí vai.

Mas seu maior legado foi que fez tudo isso seguindo um caminho próprio, quase sempre contrariando o mercado e os especialistas de plantão e, se não foi bem sucedido em tudo, o que vingou “mudou o mundo”.

Eis outro lugar comum que tentei evitar, pois pode parecer que ele criou uma empresa beneficente que tinha como missão apenas inovar e trazer o bem para humanidade.
Mas isso é mais um lance genial, ele transformou a Apple na empresa de maior valor de capital do mundo e ela continuou sendo adorada como se estivesse ainda em uma garagem desafiando o sistema. Não recebeu aquele ranço que normalmente todos temos com as grandes corporações. A empresa chegou onde chegou sem perder aquele espírito outsider de seu criador.

Eu trabalhei durante quase 3 anos muito próximo a tudo isso, vivendo essas coisas no dia à dia sempre com o cuidado de não virar um fanático/religioso em relação à Apple e ao Steve Jobs como se ambos estivessem acima do bem e do mal.
Em certos momento achava esse culto exagerado tão chato quanta as críticas “birrentas”e infundadas.

Mas, quando ouvi a notícia não consegui evitar de sentir como se tivesse perdido alguém próximo. Não consegui evitar de pensar que era mais um que o câncer tinha tomado da minha convivência. Não consegui evitar de escrever essa porra de texto piegas para cacete.(Só para não perder o hábito de enfiar um palavrão nos textos daqui)

Enfim, só me resta agradecer e desejar que parte de sua força criadora continue se espalhando pelo mundo todo.

Só mais uma coisa:

Talvez por conta da empresa ter quase quebrado uma vez ou por ter sido chutado da empresa que criou, Jobs impregnou por toda Apple a idéia de que mesmo que você esteja no topo no momento, por mais que as pessoas digam que você é incrível hoje, no dia seguinte você deve voltar a trabalhar duro para se manter na frente melhorando cada vez mais.

Tenho certeza que onde quer que ele esteja (mais um lugar comum, devo ter quebrado algum recorde…) deve estar grato por toda comoção e homenagens do dia de hoje. E que se pudesse emitir um comunicado seria para que amanhã todos pudessem voltar ao trabalho e, cada um a sua maneira, tentar fazer a diferença.

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