http://kaleidosc0pe.deviantart.com/art/Joey-Ramone-163029840
Logo quando os Los Hermanos estouraram (calma eu vou chegar lá, não desista de ler, pelo menos não ainda) eles foram no Gordo Ice Show o então programa de entrevista do João Gordo na MTV. O programa tinha participação da audiência pelo telefone e perto do fim um cara ligou e tascou ao vivo:
− Ei, Jão esses caras não gostam de Ramones!
E realmente, em uma entrevista a Bizz na época um dos integrantes disse algo algo parecido com “Nós achamos Ramones uma merda, gostamos mesmo é de Bon Jovi” (está bem, se quiser parar de ler agora eu compreendo)
Voltando ao programa, os caras dos Los Hermanos, indignados com a contestação do gostos pessoal deles responderam de bate-pronto “É, não gostamos MESSSSMO!”
Eu escrevi indignado no parágrafo acima? Esqueçam! Indignado ficou o João Gordo após eles reafirmarem esse sacrilégio ao vivo em rede nacional no programa dele. Após uma série de impropérios e de jogar parte dos objetos cenográficos em cima deles o vocalista do RxDxP ainda cravou:
− Se não fossem pelos Ramones vocês nem estariam aqui.
E aqui no caso, não era o programa dele ou a MTV. Era no planeta.
Sim, porquê se os Beatles foram geniais e essa genialidade inspirou e desafiou todo a cena musical da época, além deles terem praticamente inventado a música pop e tudo mais que a permeia: os grandes shows, o videoclipe, o heavy-metal, o rock progresivo e a síndrome de Yoko que separa as bandas, etc, etc, etc …, foram os Ramones que inventaram um estilo de música simples, direta e energética que fez uma bando de moleques comprarem uma guitarra vagabunda, aprender a tocar três ou quatro acordes e montar uma banda para poder expressar raiva, frustração, amor e bizarrice.
E esse moleques se tornariam o Tha Clash, Sex Pistols, toda cena punk londrina de 77, toda cena de hardcore nos anos 80/90,o grunge, o indie rock e os hoje mainstream U2, Pearl Jam e Metallica, e vai por aí a fora.
E mesmo com esse nível de influência os Ramones foram eternos azarões, sendo ignorados por grande parte da crítica e da mídia em seu país natal, experimentando o sucesso apenas em alguns países da Europa e da América Latina. Foram ser reconhecidos mesmo só quando a banda já não existia mais. Injusto? Sim, mas nada seria mais “Ramones” do que isso. Ou melhor, nada seria mais Joey Ramone do que isso, porquê ele era a banda.
Johnny era chefe e o criador do som e estilo da banda e seu punho forte ( literalmente, pois ele chegava a enfiar a porrada nos outros integrantes) foi o que os manteve na ativa por tantos anos. Dee Dee era o poeta-junkie e o principal letrista (e também vitíma preferida dos punhos do Johnny).
Mas sem Jeffrey Ross Hymam, o nerd alto, tímido, solitário, magricela, que passou uma temporada no hospício, portador de transtorno-obsessivo-compulsivo, que teve o amor da sua vida roubado pelo companheiro de banda (ou Klu-Klux-Klan como o próprio canta na música) e que voltou para o seu planeta de origem há 10 anos atrás, eles não teriam alcançado o status de lendas vivas.
Joey foi a alma de uma banda que mudou o mundo, foi o loser que virou uma das figuras mais icônicas do rock and roll e que hoje é adorado como um deus.
E ele se tornou tudo isso, se tornou eterno sendo apenas Joey Ramone.