Numa semana que dei mais entrevistas que a Ingrid Betancourt (foram 4 na infindável busca por um estágio) e atravessei São Paulo de trem umas 54 vezes me sinto na obrigação de compartilhar uma série de fatos e considerações com todos os meus 3 leitores:
Todo mundo sabe que vivemos num país com um tremendo contrastes sociais, mas tem coisas que ainda conseguem ser surpreendentes como próximo à região do Morumbi, de um lado da linha do trem vários prédios em construção com arquitetura e tamanho faraônicos enquanto do outro alguns miseráveis mini-sítios e um deles com uma criação de porcos com os suínos mais feios e enormes que já vi na vida!
Tudo bem que foi a primeira chiqueiro que vi in loco na vida, mas mesmo assim dava impressão que eram animais do período pré-histórico perdidos nos dias atuais.
E ainda fiquei com a impressão que um deles, provavelmente o porco-macho-alfa-from-hell, ficou me encarando de volta até que eu parasse de olhá-lo.
Foi difícil pegar no sono nesse dia.
Pegar trem é uma experiência sociológica diária, não tem uma viagem que não tenha um acontecimento bizarro que nos faça manter a fé no genêro humano.
A fé que ele está indo para o vinagre.
Certo estava o cara que gritou de fora do trem LOTÁÁÁDO, pouco antes das portas se fecharem:
“Vai pensando aí povo! Isso não é vida não”
E olha que ele devia ter uns 16, 17 anos.Quem disse que a juventude está perdida?
Um clássico das viagens de trem : O pregador.
Fazia tempo que não topava com um e vi que eles estão adotando novas táticas devido ao pouco sucesso com a audiência que vez ou outra os arremessam vagão à fora.
Agora andam à paisana quase incógnitos quando de repente sacam a bíblia e começam a conversão.
O que encontrei era desses bem figura, toda hora soltava um OA-LE-LUI-A( soava desse jeito mesmo que escrevi, parecia uma coisa meio programa de auditório).Certa hora tascou:
“Nós abrimos o jornal e só vemos destruição, ligamos a tevê e só vemos a destruição…”
“Então é só não ler o jornal e não ligar a tevê PORRA!” Gritou um maluco lá do fundo do vagão, interrompendo.
Em pensamento concordei com o infiel, e ainda acrescentaria: faça como eu fique só na Internet vendo putaria.
Não sei porque em todas as entrevistas te perguntam para você contar seus principais defeitos.
Alguns dizem que é para avaliar a capacidade do candidato em tentar convencer o entrevistador que ele tem jogo de cintura para achar um defeito que no fundo se transforme em uma qualidade.(?)
Do tipo:”Sou exigente demais comigo mesmo” ou “sou perfeccionista demais” ou “não prezo muito minha vida socia,l prefiro trabalhar de sol à sol todo dia”
Pode até ser, mas não consigo usar esse artifício, normalmente digo um que é verdade já que tenho um monte para escolher.
Claro, nenhum defeito pesado como:”Sou um pessimista-derrotista-socialista/capitalistafrustrado-semfénahumanidade” ou “Já quase morri umas 8 vezes e dancei nu em cima de uma árvore por não saber beber”
Sinceridade tem limites, até para mim.
E chega de considerações! Esse post já está quilométrico e já deve ter suprido o recente total abandono desse blog e saciado meus dois leitores.
O terceiro deve ter desistido na metade da leitura.
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