Esses dias reencontrei um amigo da escola que não via a uns dez anos.
Bom,na verdade vi no ano passado,mas só troquei uma duas palavras, ao contrário desse último encontro onde conversamos por algumas horas em um lugar ideal para a uma conversa de alto nível e cunho filosófico:
Um “buteco” sujo.
Conversando sobre as diversas cabeçadas e as poucas realizações que tivemos nesses 10 anos ele soltou:
“Mas você era um cara inteligente.O quê te estragou foi ter começado a andar com aqueles caras.”
Na hora, retruquei apenas que ele também era inteligente e não achava que estávamos tão mal assim atualmente , desperdiçando essa tal inteligência.Fizemos escolhas arriscadas, fizemos o que nos deu na telha e levando isso em conta até que perdemos pouco.
Não dei importância para isso no dia, até porque estava meio bêbado, mas passado uns dias não pude deixar de pensar no que ele disse.
Esse cara me conheceu na terceira série e sempre estudamos na mesma escola até o meu terceiro colegial e ele deve ser um dos poucos que acompanharam bem a fase da minha mudança radical de personalidade.
Era um garoto calado,quieto,tímido,que não saía de casa, que estudava o dia inteiro,não ficava com nenhuma menina, vivia de agasalho escolar e que tirava as maiores notas da sala e tinha vergonha disso.
Isso até uns dezesseis anos de idade.
Depois virei um tremendo porraloca,bebia em doses cavalares , chegava a ficar dias fora de casa,me vestia hora como mauricinho,hora como um punk sujo,colava em quase todas as provas e matava aula entre outras coisas.Continuava tímido,mas até conseguia alguma coisa com as mulheres.
Foi mais ou menos assim até os meus vinte cinco anos.A partir daí comecei a virar tiozinho e vou indo bem, obrigado!
Mas não atribuo essa mudanças às más-companhias,pelo contrário,eu acho que muitas vezes eu tenha sido o mais nocivo para mim do que qualquer pessoa.
Só aconteceram algumas mudanças na minha vida.Coisas fora do meu controle,coisas que me tiraram de uma trilha e me jogaram em outra.
E os hormônios, claro.
Mas deve ser interessante:
Quem estudou comigo até uns quinze anos e nunca mais me viu deve achar que hoje sou engenheiro, médico,físico nuclear,etc…com pós-doutorado em Harvard e os caramba.(Tá bom, exagerei)
Quem me conheceu depois que eu tinha uns 17 anos devia achar que eu fui criado em reformatório psiquiátrico e que voltaria para lá em um futuro bem próximo.
Apesar que esses últimos,tirando o “futuro bem próximo”,estão mais próximos da realidade