Sou o tipo de pessoa que não faz questão nenhuma de ser notado em qualquer tipo de ambiente. Pode parecer estranho em um mundo onde hoje em nome da tal “etiqueta corporativa”somos incentivados a pendurar uma melancia no pescoço para conseguir “destaque no concorrido mercado de trabalho”.Ou um monte de gente que tem muito pouco a acrescentar e vive em busca dos holofotes. E acabam encontrando!
Mas eu não dou à mínima! Continua entrando nos ambientes, à lá Solid Snake tentando despertar o mínimo de atenção.Podem achar que isso é pensar pequeno, ou que não sou muito sociável ou que é só frescura mesmo.
Provavelmente estarão certos, mas continuo não dando à mínima!
Apenas uma teoria abalou minha fé: li em algum lugar que esse tipo de comportamento, normalmente associado à uma pessoa tímida era na verdade o de um egocêntrico enrustido.Segundo a reportagem, o tímido evitava ser notado ou deixava de fazer alguma coisa achando que todos estavam interessados nele e no que ele estava fazendo.
Porra! Egocêntrico eu? Tenho 1.082.304 defeitos, mas se achar o centro das atenções, mesmo que inconscientemente, não era um dos que eu conseguiria conviver em harmonia.
Até que um dia, indo para a faculdade em um sábado pela manhã (sim eu tenho aula sábado pela manhã!) enquanto caminhava pensando em qual o nome eu daria para minha futura banda (caso algum dia eu aprenda a tocar, descubra que tenho algum talento inato e montasse uma ), quando uma melodia despertou minha atenção.
Ao procurar a origem me deparei com um senhor de seu 50, 60 anos, usando um elegantíssimo moletom e Havaianas com meia, com um balde em punho prestes a lavar seu carro.
Não me perguntem qual era o carro não entendo nada disso. Divido os carros em 3 categorias Fusca, Chevette e os outros que eu sempre confundo.Era um dos outros…
Enfim, até aí até que é um comportamento natural, já que uma grande maioria de Senhores Volantes acordam no final de semana cedinho para dar um trato no possante (eita gíria velha!), mas quantos fazem isso cantarolando “Era um Biquíni de Bolinhas amarelinhas”? Sim foi essa melodia que me tirou do meu transe imaginário.
Ao chegar à faculdades não pude deixar de comentar com meus companheiros acadêmicos a cena estranha que vi. Como a história fez certo sucesso ,então pude colocá-la na minha coleção de: “Histórias-bizarras-que-parecem-mentira-para-animar-festas”.
Maravilha!
No sábado seguinte o mesmo senhor estava lá, pronto para lavar o carro, mas sem cantarolar nada.No outro sábado também, sem nem um mero assobio.
Escrevo isso no sábado ,alguns meses depois, e ele ainda esta lá com o mesmo figurino prestes a começar a lavar o carro. E provavelmente estava lá nos sábados antes de eu notá-lo, só que sempre em silêncio. No dia em que sabe-se-lá-o-por-que resolveu cantarolar “Era um Biquíni de Bolinha Amarelinho” passou de um simples senhor a uma das pessoas da minha galeria de personagens non-sense.
Isso mandou a tese do egocentrismo por água a baixo para mim. Se você fizer qualquer coisa constrangedora ou não, mas que te tire da invisibilidade e chame a atenção de algum filha-da-puta,corre o risco de entrar para uma galeria de personagens(malucos, folgado,sem-noção, etc..) ou acabar virando um anexo em Power Point no e-mail de alguém. Se é que isso já não aconteceu! Melhor continuar a passar depercebido.
E toda essa conversa, também serviu para comprovar que “Era um Biquini de Bolinha Amarelinho” é uma das músicas mais pegajosas da história!
Leia esse post e duvido que não passe o dia inteiro se segurando para não cantarolar essa porra !